Templo Caboclo Pantera Negra

Nem sempre o que parece é!

Meus amigos, o Inzo Tumbansi postou um texto bastante duro em sua página, cujo título é: “Ser muzenza não é vergonha! Se dizer “Mam’etu” sem ser, sim!”, o qual compartilhei em meu perfil, por considerá-lo de extrema pertinência.

 

A fim de esclarecermos aos nossos amigos é necessário que expliquemos alguns dos termos utilizados no texto. “Muzenza” é o nome que se dá a pessoa iniciada no Candomblé de vertente (nação) Angola, ou seja, aquela que passou pelos rituais iniciatórios. “Mam’etu” é o termo utilizado para se referir à Sacerdotisa, ou seja, pessoa que passou por todos os rituais que a qualificam como tal. O processo de Muzenza a Mam’etu é longo, sendo necessário, no mínimo 07 anos de práticas e ensinamentos vários, calcado na confiança ao Iniciador/a e devotamento à Casa em que a pessoa foi iniciada.

 

O texto publicado faz uma crítica a “alguns sacerdotes umbandistas inconformados com seu culto, querendo iniciar-se no candomblé para obter um ‘status’ e/ou aval para legitimar rituais e atividades já executadas dentro de suas casas, verdadeiras sandices, estelionatos e charlatanismo.”

 

O texto faz uma acusação muito grave e atinge todos os umbandistas, os quais convido para reflexão. A “sacerdotisa umbandista” que motivou essa postagem de desagravo é conhecida no mundo da Umbanda paulista. Há muito tempo ela tem feito práticas de Candomblé em sua casa de Umbanda, arvorando-se de um conhecimento que não possui. Quando se iniciou em tradicional Casa de Candomblé Angola passou a se comportar como Sacerdotisa (Mam’etu), apesar de ainda ser Muzenza (iniciada). O Sacerdote que a iniciou chamou-lhe a atenção, mas em vez de respeitar seu Iniciador e parar de se comportar como Mam’etu, continuou com as mesmas atitudes, o que, nas religiões afro-brasileiras, é inadmissível, culminando em seu afastamento da Casa em que foi iniciada.

 

A Umbanda é maravilhosa, possui muitos ensinamentos que acalentam a alma das pessoas, dando-lhes conforto e palavras amigas. Sei que a Umbanda, como religião afro-brasileira, possui limites, dada a sua própria construção histórica, o que obriga vários de seus Sacerdotes procurarem o Candomblé para “completarem” algumas deficiências. Essa é uma prática antiga e realizada por vários Sacerdotes de Umbanda conhecidos, destacando-se, por exemplo, Jamil Rachid, Ronaldo Linares, Milton Aguirre, entre outros. Entretanto, há que se saber que ser Sacerdote de Umbanda não é o mesmo que ser Sacerdote de Candomblé. São coisas distintas.

 

Entretanto, não posso deixar de observar que alguns Sacerdotes de Candomblé têm realizado rituais de Umbanda, sem nunca terem sido preparados para isso, o que traz inúmeros problemas aos umbandistas em geral, especialmente as famosas “festas de Exu e Pomba Gira”, entidades próprias do universo da Umbanda que são descaracterizados, tendo suas características levadas a um descompasso terrível. Vemos famosos Terreiros de Candomblé fazerem “festa de Preto Velho”, para a qual acorrem muitas pessoas, que ficam imaginando que Candomblé e Umbanda são uma coisa só, o que é totalmente diverso da realidade. Não há nenhuma autorização automática para um Sacerdote de Candomblé fazer rituais típicos de Umbanda.

 

Um Sacerdote de Umbanda pode ser Sacerdote de Candomblé e vice-versa, não há nenhum impeditivo nisso, mas para que ele o seja precisa passar pelos rituais, preceitos e obrigações típicos de cada uma das religiões afro-brasileiras.

 

Axé!

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